Boa noite a todas e a todos! Estamos muito felizes por terem vindo assistir ao espetáculo Nunca Mates o Mandarim!
Gostávamos de começar por vos apresentar o trabalho que
realizámos no âmbito da Oficina de Teatro que este ano funcionou com 31 alunos.
Os
objetivos da oficina de teatro são sempre múltiplos e variados de entre os
quais se destaca o trabalho em torno da oralidade, o desenvolvimento da
criatividade ao nível da escrita, da redação do texto dramático e da encenação.
A oficina mostra sempre, e este ano não foi exceção, a importância do saber
trabalhar em grupo: não é fácil conciliar diferentes modos de trabalho, fazer
uma distribuição equilibrada das tarefas, conseguir unir pontos de vista.
No início do ano criaram-se dois grupos de trabalho que se
reuniram uma hora por semana. Depois da leitura da obra de Eça de Queirós, O
Mandarim, os alunos do 10º ano foram divididos em pequenos grupos e a cada
grupo foi atribuído um capítulo da obra. A pedido da professora, todos os
grupos começaram por trabalhar com a inteligência artificial. Foi por isso que
cada grupo introduziu o pdf do capítulo que lhe foi atribuído no ChatGPT
pedindo ao chat que transformasse esse pdf em texto dramático. Para alguns de
nós foi a primeira vez. Pela primeira vez tivemos de escrever prompts.
Alguns prompts eram pequenos pedidos, mas outros já eram pedidos mais
desenvolvidos. As duas palavras-chave deste exercício foram “criatividade” e
“espírito crítico”. Com o texto dramático criado pelo chatGPT
para cada capítulo, todos os grupos tiveram em seguida que corrigir “a resposta
do chat”. Essa correção nem sempre foi fácil pois exigia que conhecêssemos
muito bem a obra de Eça. Também foi complicado trabalhar de forma isolada, sem
saber o que os outros grupos estavam a fazer com os seus capítulos, sem saber
até onde é que ia a criatividade deles. Todos recebemos a liberdade de criar
novas personagens, mas não sabíamos propriamente que personagens estavam a
surgir nos diferentes grupos. Foi assim que o papagaio e o mandarim ganharam
vida e se decidiu, no início de janeiro, que nos incumbiria estar aqui, no meio
do palco, a falar convosco esta noite a apresentar-vos o nosso trabalho! Este trabalho com o
chatGPT mostrou-nos as limitações da Inteligência Artificial na atualidade. Mesmo
se esta ferramenta nos ajudou a criar a peça, nomeadamente em termos de
estruturação das cenas e das falas das personagens, percebemos que, sem o nosso
espírito crítico e sem a nossa criatividade, não teríamos chegado ao texto
dramático que hoje vos vamos representar. As máquinas ainda não são capazes de
nos substituir completamente! Após o nosso trabalho, a adaptação do texto
narrativo ao modo dramático foi terminada pela professora que procurou unir os
diferentes atos e cenas realizados pelo chatGPT e pelos alunos, procurando
harmonizar ideias e criatividades.
Depois de criado o texto dramático, foram distribuídas as várias
personagens pelos alunos da turma que vão todos subir ao palco esta noite. Uma
realidade nem sempre fácil de gerir por exigir que todos tenham tido de
aprender um papel, tratando ao mesmo tempo de todas as outras questões ligadas
à montagem de um espetáculo teatral: criação do cartaz, do programa, do
cenário, dos sons, das luzes, dos adereços e do guarda-roupa para dar apenas
alguns exemplos.
A escolha da obra queirosiana O Mandarim
merece uma breve explicação. Publicada em 1880, trata-se duma novela cuja
intriga nos leva até ao final do século XIX. O protagonista, Teodoro, trabalha
numa repartição do reino. Vive modestamente numa pensão lisboeta levando uma
existência monótona! Gostava de ser rico, mas não é! De repente, vai cruzar uma
figura misteriosa que o desafia a tocar uma campainha… e a viajar de Lisboa a Paris,
e mais tarde até à China. Teodoro vais
mostrar-nos como se vivia na Europa e na Ásia Mais do que um retrato cultural
marcado pela visão europeia da Ásia nos últimos anos do século XIX, a obra de
Eça, e a nossa peça, oferecem-nos um retrato do ser humano que ultrapassa as
diferenças culturais para focar na importância do dinheiro deixando-nos a
pergunta: até que ponto os comportamentos íntegros nos podem fazer felizes?
Mas chega de conversa e comecemos.
Agradecemos que desliguem os telemóveis e que não tirem fotografias com flash durante a representação. O espetáculo vai ser filmado e a gravação será posteriormente
partilhada com os alunos. A quem desejar, apesar de tudo filmar, pedimos
descrição e um comportamento pouco intrusivo. Por fim, sugerimos que ponham a conversa em dia depois da
nossa representação, no pequeno lanche que, com a ajuda da Apaspli e das nossas
famílias, preparámos para vos oferecer.
Bom espetáculo!
Redação do texto: turma de 10º ano
Apresentação: Hugo e Lionel (Mandarim e Papagaio Côco)
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